Durante muito tempo, os motéis foram vistos apenas como locais para uma estadia rápida. Hoje essa realidade mudou. O setor evoluiu e passou a oferecer uma experiência completa de hospitalidade investindo em conforto, gastronomia, atendimento e serviços que tornam cada momento mais agradável para o cliente.

Nesse novo cenário, a alimentação ganhou um papel importante. Cardápios mais elaborados, cafés da manhã, refeições e serviços de quarto passaram a fazer parte da experiência oferecida por muitos estabelecimentos. E, junto com essa evolução, surge uma responsabilidade fundamental: garantir a segurança dos alimentos servidos.

O curioso é que a segurança dos alimentos é um dos poucos aspectos da experiência que o cliente dificilmente consegue avaliar no momento do consumo. Um prato pode estar bonito, saboroso e bem apresentado, mas, se não tiver sido produzido dentro das normas sanitárias, poderá causar problemas horas ou até dias depois.

Quando isso acontece, além do risco à saúde do consumidor, o impacto na imagem do motel pode ser significativo. Uma única ocorrência pode comprometer a confiança construída ao longo de anos.

A cozinha do motel segue as mesmas regras de um restaurante

Existe um equívoco comum de imaginar que, por não ter contato direto com o público, a cozinha de um motel possui exigências diferentes das de um restaurante tradicional. Na prática, isso não acontece.

A cozinha de um motel é considerada uma cozinha comercial e deve seguir exatamente os mesmos padrões de higiene, manipulação e controle sanitário exigidos para qualquer estabelecimento que produza alimentos.

A diferença é apenas a forma como o serviço chega ao cliente. Nos bastidores, o nível de responsabilidade é exatamente o mesmo.

A segurança está nos procedimentos

Garantir alimentos seguros não depende apenas da qualidade dos ingredientes. É o conjunto de procedimentos que faz toda a diferença.

Tudo começa no recebimento das mercadorias, verificando condições de transporte, temperatura e validade dos produtos. Em seguida, é necessário armazenar corretamente alimentos refrigerados, congelados e secos, respeitando a validade e as condições ideais para cada tipo de produto.

Depois vêm as etapas de pré-preparo, preparo e distribuição das refeições, sempre seguindo procedimentos que evitem riscos de contaminação.

Entre os principais cuidados estão:

  • Higiene correta das mãos e dos alimentos.
  • Armazenamento adequado de produtos perecíveis e não perecíveis.
  • Controle de temperaturas durante armazenamento, preparo e distribuição dos alimentos e equipamentos;
  • Prevenção da contaminação cruzada na manipulação dos alimentos.
  • Higiene dos equipamentos, moveis, utensílios e estrutura.
  • Monitoramento da saúde dos manipuladores de alimentos.

Cada um desses cuidados contribui para reduzir riscos e garantir que a refeição chegue ao hóspede com qualidade e segurança.

Pessoas bem treinadas fazem toda a diferença

Nenhum procedimento funciona sem uma equipe preparada. Por isso, investir na capacitação dos colaboradores é um dos pilares das Boas Práticas de Manipulação.

Quando a equipe compreende a importância de cada procedimento e entende os riscos envolvidos, os cuidados passam a fazer parte da rotina da operação.

Mais do que cumprir uma exigência legal, o treinamento cria uma cultura de responsabilidade dentro da cozinha, reduz falhas operacionais e aumenta a confiança nos procedimentos técnicos.

Segurança dos alimentos também é hospitalidade

Oferecer atualmente uma boa experiência vai muito além de um ambiente bonito ou de um atendimento cordial.

A qualidade e segurança da alimentação faz parte da percepção que o hóspede terá do estabelecimento, mesmo quando ele não consegue enxergar tudo o que acontece nos bastidores.

Investir em segurança dos alimentos significa proteger a saúde do cliente, preservar a reputação do motel, reduzir desperdícios, evitar autuações e demonstrar compromisso com a excelência do serviço.

No fim das contas, hospitalidade também é cuidar daquilo que o cliente não vê, mas que faz toda a diferença na experiência que ele leva consigo.

Milena Orofino é nutricionista especialista em qualidade e segurança dos alimentos da Nutri Mi Alimentos e consultora técnica do Programa Alimentos Seguros (PAS/Sebrae)