O motel sempre foi sobre experiência, só que ninguém chamava assim. O primeiro motel do Brasil abriu em 1968, em Itaquaquecetuba (SP), pensado para encontros amorosos e estadias curtas. Anos depois, em 1980, nascia o Espacial Motel, em Araçatuba (SP), já se diferenciando com rede interna de TV, sistema de som e uma visão clara de que o casal não buscava apenas um quarto, mas um momento.
Lembro de ouvir histórias das noivas entrando no motel e, quase como mágica, começando a tocar a marcha nupcial. Naquela época, já eram feitas decorações românticas que transformavam horas comuns em memórias para a vida inteira.
Mesmo sem os discursos modernos sobre experiência e jornada do cliente, a pergunta que guiava a gestão dos meus pais no Espacial Motel continua a orientar todas as minhas decisões hoje. “O que o casal vem buscar quando entra no nosso motel?” A resposta é clara: privacidade, conforto, fuga da rotina e conexão em um mundo cada vez mais rápido, digital e cheio de distrações.
Poucos lugares oferecem tudo isso sem a burocracia, o planejamento ou os custos de uma viagem. O motel passou a ocupar um novo espaço, não apenas cenário de encontros, mas de refúgio e destino de pequenas férias perto de casa. É um lugar onde o tempo desacelera e a relação ganha protagonismo.
Para nós, moteleiros, o desafio é claro. Precisamos modernizar estruturas, atualizar ambientes e profissionalizar processos sem perder a alma que nos trouxe até aqui. Modernidade, talvez, seja exatamente reencontrar a tradição de transmitir cuidado em cada detalhe e aprimorar com estratégia tudo aquilo que sempre fizemos de melhor.
