Você já parou para pensar em como a palavra “motel” é percebida pela sociedade? No Brasil, mesmo sendo parte da cultura nacional e amplamente utilizados em todas as regiões, os motéis ainda carregam preconceitos e estigmas que afetam seu valor no mercado.

Por que os motéis ainda enfrentam preconceitos?

Apesar de fazerem parte da cultura do país e serem amplamente utilizados no Brasil, sem distinção de localidade, os motéis ainda carregam uma herança enraizada que impacta negativamente seu valor. A palavra “motel”, por si só, representa, para muitos, associações com promiscuidade, segredo ou culpa — reflexos de uma cultura que, historicamente, marginaliza o prazer e a sexualidade. Isso afeta diretamente a forma como o setor moteleiro é visto pelo público e, consequentemente, como se posiciona no mercado.

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Como transformar a percepção dos motéis
A boa notícia é que existe uma oportunidade de transformar essa percepção, e nós, do setor, temos total responsabilidade nessa mudança. Em primeiro lugar, é essencial que enxerguemos nosso trabalho como a oferta de um ambiente legítimo de bem-estar, descanso, liberdade e acolhimento para quem escolhe viver uma experiência positiva, seja para casais, seja para quem deseja um momento de cuidado e desconexão do cotidiano.

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Reposicionando a comunicação

É fundamental trabalhar o reposicionamento da linguagem e da narrativa: comunicar-se com clareza, empatia e profissionalismo, transmitindo a imagem de que o motel é, acima de tudo, um local de reencontro, de conexão entre casais, de alívio da rotina cansativa e de cuidado com a relação.

Construindo uma experiência segura e confortável

Quando passamos a comunicar isso com mais clareza e seriedade, abrimos espaço para um novo olhar não apenas dos clientes, mas da sociedade como um todo. E essa mudança começa na forma como escolhemos nos posicionar. Para isso, precisamos falar sobre o que realmente oferecemos: ambientes com condições higiênicas seguras, confortáveis e bem cuidados, especialmente planejados para proporcionar experiências de tranquilidade, conexão, descanso, prazer e privacidade.

Case de sucesso: o Lotu’s Motel

Ao longo da minha trajetória à frente do Lótus Motel nesses 10 anos, percebo que as pessoas estão escolhendo viver com mais liberdade e buscando uma vida na qual os julgamentos estão, aos poucos, perdendo relevância, abrindo espaço para que usufruam dos serviços da motelaria “sem culpa” e com mais naturalidade.

Não há mais espaço para amadorismo

Liderando a mudança no setor

Cabe a nós, empresários do setor, liderar essa mudança com coragem, responsabilidade e persistência. Isso inclui investir em estrutura para modificar qualquer característica que remeta ao modelo de negócio praticado há décadas. É investir em atendimento, em processos bem definidos e padronizados e, principalmente, em uma comunicação que acolha os hóspedes, e não que os afaste — evitando vulgarizações e mensagens de duplo sentido ou pejorativas.

Quebrando o tabu e ressignificando o conceito

Trabalhar com foco em quebrar o tabu em torno da palavra “motel” é mais do que ressignificar sua imagem: é uma oportunidade de promover um reposicionamento cultural. E essa mudança ganha força quando nos unimos para gerar diálogos mais abertos, posicionamentos mais claros e experiências mais conscientes.

Quanto mais naturalizarmos essa conversa, mais contribuímos. Afinal, desmistificar o motel é devolver a ele seu verdadeiro papel: um espaço pensado para o prazer, o cuidado e a liberdade de ser quem se é, uma escolha legítima para cuidar de uma parte importante da vida: o relacionamento.

Raíssa Leite é sócia-diretora do Lotu’s Motel, que possui duas unidades em Arapiraca (AL)