Diretor da ABMotéis em Belém, Ricardo Teixeira afirma que, apesar de o evento não trazer um retorno financeiro imediato, o setor moteleiro local aproveitou a oportunidade para se reposicionar como parte da cadeia de hospitalidade
A realização da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), em novembro em Belém (PA), movimentou diversos setores da economia local e colocou o Brasil no centro dos debates globais sobre o clima. Em paralelo a isso, o setor moteleiro surpreendeu pela capacidade de adaptação e investimento. Dos cerca de dois mil quartos de motéis na Grande Belém, aproximadamente 570 foram adaptados para receber a demanda do evento global. A expectativa de acolher visitantes do mundo todo impulsionou reformas estruturais nas suítes e a modernização dos serviços.
Diretor da ABMotéis em Belém, Ricardo Teixeira afirma que, mesmo sem retorno financeiro gerado pela COP30, o setor moteleiro local aproveitou a oportunidade para se posicionar como parte da cadeia de hospitalidade no estado. “Mesmo que os resultados imediatos sejam mais simbólicos do que financeiros, o sentimento do setor é de amadurecimento e aprendizado”, analisa Ricardo na entrevista a seguir.
Como foi o processo de adaptação dos motéis de Belém para a COP30?
Foi um movimento muito positivo. Os motéis de Belém se reinventaram com a COP30. Na Grande Belém, temos cerca de dois mil quartos de motéis e mais de 500 passaram por reformas para atender à demanda do evento. Praticamente todos os estabelecimentos investiram na troca de TVs, ar-condicionados, colchões, enxovais e frigobares. Essa modernização elevou o padrão de conforto e atendimento do setor, deixando um legado duradouro para os clientes, muito além da COP30.
Que tipo de repercussão o evento gerou entre os moteleiros?
No início, o sentimento foi de grande empolgação, traduzido em investimentos e melhorias por parte dos empresários. Mesmo que a ocupação imediata não tenha sido a esperada, o setor enxerga a COP30 como um ponto de virada. O evento projetou Belém e seus meios de hospedagem no cenário internacional, abrindo portas para novos perfis de visitantes e consolidando a imagem da cidade e dos motéis como parte essencial da hospitalidade paraense.
Você percebeu alguma mudança na forma como o público passou a enxergar os motéis por causa da COP30?
De certa forma, sim. O evento ajudou a mostrar uma nova motelaria, mais moderna, acolhedora e conectada às tendências do turismo. As reformas chamaram atenção e mostraram que hoje os motéis de Belém oferecem estrutura, conforto e serviços comparáveis aos de outros meios de hospedagem. Esse movimento reforçou que somos uma opção prática, acessível e de qualidade para quem busca bem–estar, discrição e uma experiência completa de hospedagem.
A exposição do setor na mídia trouxe a oportunidade de quebrar estigmas e mostrar um outro lado dos motéis. Como foi lidar com a mídia nacional e estrangeira?
Foi uma grande oportunidade. Participei de diversas entrevistas e mostrei que o motel é, sim, uma hospedagem como qualquer outra, com gestão profissional, equipe qualificada, infraestrutura moderna e padrão de qualidade. A diferença está apenas no modelo de cobrança, mais flexível e acessível. Essa exposição na mídia durante a COP30 ajudou a desconstruir tabus e a apresentar uma nova motelaria voltada à hospitalidade, ao conforto e à experiência do cliente.
Como o setor pode aproveitar o pós-COP30 para consolidar uma nova posição no setor de hospedagem?
O desafio é transformar essa vitrine em novas oportunidades, aproveitando o fluxo turístico e a imagem positiva que a COP30 trouxe para Belém. O primeiro passo é buscar reconhecimento oficial junto ao Ministério do Turismo para que os motéis possam integrar o cadastro nacional de hospedagem. Isso trará mais visibilidade, credibilidade e acesso a políticas de incentivo. Paralelamente, é fundamental mantermos o padrão elevado de qualidade conquistado com as reformas, o que certamente vai fortalecer nossa imagem e fidelizar novos públicos.